sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

A importância dos dentes de leite

Os dentes decíduos, popularmente chamados de dentes de leite, podem estar presentes na vida da criança a partir dos seis meses de idade.

 

   Estes possuem um ciclo biológico curto, permanecendo na cavidade bucal por volta de 10 anos. Ou seja, comparando com um dente permanente, o decíduo está presente na boca por um tempo muito menor. Além disso, se não houver nenhuma anomalia de desenvolvimento, o dente decíduo deverá ser o sucedido por um permanente.
   Considerando esses pontos, frequentemente ouve-se o seguinte questionamento em relação aos dentes decíduos por parte de profissionais da área da Odontologia, pacientes e familiares: “Como os dentes decíduos permanecem pouco tempo na boca e são substituídos pelos permanentes, por que devemos preservá-los e tratá-los?” O ideal seria que essa pergunta fosse respondida da seguinte maneira: “Embora os dentes decíduos tenham o ciclo biológico curto, devem permanecer na cavidade bucal para desempenhar funções, como estética, fonética, deglutição, mastigação e oclusão”. Por exemplo, uma criança com três anos e perda precoce dos incisivos centrais superiores apresentará grande prejuízo para sua estética e pode ter alterações comportamentais decorrentes desse comprometimento. Além disso, terá dificuldades para mastigar devido à falta desses elementos.
   A língua poderá passar a ocupar um posicionamento inadequado, alterando a oclusão e a fonética. Outro caso muito frequente ocorre quando há perda precoce dos segundos molares decíduos. Com isso, o primeiro molar permanente mesialisa, ocupando o espaço que será sucedido pelo segundo pré-molar permanente. Ou seja, o desenvolvimento do sistema estomatognático e a qualidade de vida da criança ficam comprometidos.
   Fica claro, portanto, que a manutenção dos dentes decíduos no arco dentário até a época mais próxima da esfoliação é de extrema importância para o desenvolvimento geral e da cavidade bucal da criança.
   Entretanto, muitas vezes alguns profissionais da área de Odontologia e familiares da criança têm dificuldade de entender essa importância. Por isso, cabe ao dentista que atende crianças, principalmente ao Odontopediatra, a conscientização da importância dos dentes decíduos, para poder orientar, da melhor forma, os seus colegas e a família do paciente.
   Desde a prevenção até tratamentos endodônticos poderão e deverão ser realizados para que o ciclo biológico do dente decíduo se complete. Caso seja inevitável a exodontia, um mantenedor de espaço estético e funcional deverá ser indicado. Não se pode esquecer que não tratar dentes de leite cariados ou com comprometimento endodôntico também afeta e, até mesmo, interrompe o desenvolvimento do sucessor permanente.
   A Odontopediatria é a especialidade que cuida do bebê até a adolescência, ou seja, acompanha todo o desenvolvimento da cavidade bucal da criança e preza pela integridade dos dentes decíduos. Dessa forma, deve partir dos Odontopediatras a valorização dos dentes decíduos dentro da Odontologia. Esses profissionais são responsáveis por educar sobre a importância em preservar esses dentes e fazer com que a criança tenha um desenvolvimento saudável da cavidade bucal.



Por Anna Carolina Volpi Mello-Moura

Especialista em Odontopediatria pela Fundecto – USP. Mestre e Doutora em Odontopediatria pela FOUSP. Professora da Disciplina de Odontopediatria da UNIP. Professora Coordenadora da Especialização em Odontopediatria da UNIP.







quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Proteja sua boca de doenças e evite problemas após o carnaval





Carnaval é época de festa, curtição e beijo na boca, mas para manter a saúde em dia, o dentista Anderson Bernal explica sobre as doenças que podem ser transmitidas através da saliva. E são muitas! Tuberculose, gripe, resfriado, faringite, amigdalite, hepatite B, rubéola, caxumba, sarampo, catapora e meningite são as doenças mais fáceis de detectar e diagnosticar. Logo, a pessoa geralmente já sabe que está doente e evita contato com os outros. Algumas outras doenças possuem sintomas que podem ser confundidos com complicações simples, o que faz com que muitas pessoas possam ser portadoras de algum vírus sem ter conhecimento disso. São elas:


Mononucleose, conhecida como “a doença do beijo”. Alguns dos sintomas são: febre alta, dor de cabeça, inchaço no baço, aumento de gânglios no pescoço e nas axilas, mal-estar e fadiga. É causada pelo vírus chamado Epstein-Barr, da família Herpesviridae, e se manifesta entre trinta e cinquenta dias após o contato com ele.
Citomegalovírus - apresenta sintomas parecidos com os da mononucleose, mas se a pessoa não estiver com o sistema imunológico em baixa, a infecção também pode ser assintomática. Em casos mais graves pode comprometer o sistema digestivo, o sistema nervoso central e a retina de algumas pessoas. Pode ser transmitido de diversas outras maneiras além da saliva, por exemplo, via respiratória (tosse, espirro, fala e afins), relação sexual sem proteção ou transfusão de sangue. É da família do herpesvírus, a mesma dos vírus da catapora,herpes simples, herpes genital e herpes zoster.
Herpes simples - no início surge uma pequena coceira em alguma região próxima a boca. Em seguida aparecem pequenas bolhas agrupadas. O rompimento dessas bolhas libera um líquido cheio de vírus, e por isso é a fase mais perigosa, pois o contágio se torna mais fácil. Após o contágio, o vírus estará sempre presente no corpo de quem o possui.
DST, doenças sexualmente transmissíveis - a AIDS não é transmitida pelo beijo, pois na saliva não é possível encontrar o HIV viável em concentração capaz de gerar infecção. Já a Sífilis pode raramente ser transmitida pelo beijo, mas somente se na boca da sua parceira existir uma lesão ativa da sífilis, como por exemplo, o cancro.
   Candidíase: também conhecido como sapinho, caracteriza-se por áreas brancas na mucosa que, quando raspadas, deixam a região vermelha e sangrante.
  Curta o carnaval com responsabilidade, preserve sua saúde! 


Dr. Aníbal Ribeiro


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Relação entre Diabetes e Doença Periodontal.


O diabetes mellitus é uma doença endócrina, que se não controlada acarreta inúmeras alterações de ordem sistêmica. Essas alterações causam problemas nos vasos sanguíneos, nos rins, no sistema sensorial, na visão, além de aumentar as infecções e propiciar o aparecimento de doenças periodontais.
A doença periodontal tem sido considerada a sexta complicação do diabetes. Estudos dizem que o diabetes influencia na instalação e progressão da doença periodontal. E, em contrapartida, a severidade dessa doença também pode afetar o controle metabólico do diabetes.
Apesar da possibilidade de diagnóstico por meio de alguns sintomas relatados pelos pacientes, a confirmação do diabetes é feita somente após a realização de exames laboratoriais. O mais preciso desses exames refere-se à hemoglobina glicosada do sangue, mas outros como a curva glicêmica e as medidas de glicemia de jejum e pós-prandial também são utilizados no diagnóstico.
Os dois tipos mais comuns do diabetes são os tipos I e II. A primeira é mais rara; atinge pacientes mais jovens e tem sintomas que se manifestam com mais rapidez. Normalmente o paciente precisa da insulina para fazer o controle da taxa de açúcar do sangue. A segunda forma de diabetes, na maioria das vezes, está associada à obesidade e hipertensão; atinge pacientes de idade mais avançada e a medicação sempre é feita via oral.
As doenças periodontais mais comuns são a gengivite e a periodontite e ambas tendem a se manifestar nos diabéticos de uma maneira mais agravada, dificultando o tratamento médico e dentário. Isso se deve a vários fatores, entre eles a dificuldade de cicatrização, as alterações na circulação sanguínea e a queda da imunidade do paciente, que fica mais propenso a contrair infecções.
O paciente diabético controlado pode ser tratado normalmente pelo dentista em ambulatório, tomando-se as devidas precauções. O problema é o paciente descompensado, que exige muitas vezes internação hospitalar.
A gengivite faz com que as gengivas fiquem avermelhadas e inchadas, com sensibilidade. Ocorre sangramento na escovação, uso do fio dental e até mesmo na mastigação. A simples remoção da placa bacteriana e do tártaro pelo dentista já melhora as condições da doença.
A periodontite é conseqüência de uma gengivite não tratada; ocorre quando os tecidos ao redor do dente já estão comprometidos, incluindo destruição óssea e das fibras do ligamento periodontal, formando bolsas purulentas ao redor do dente.Essa perda se deve a bactérias oriundas da placa bacteriana, que podem levar à perda do dente.
Muitos pacientes não sabem que são diabéticos e manifestam os problemas bucais antes das outras alterações. O curso da doença é peculiar em cada indivíduo, assim como suas manifestações. O diagnóstico precoce e correto do diabetes evita muitas das conseqüências danosas à saúde do paciente. Toda doença é desagradável, mas o diabético descompensado sofre muito mais as conseqüências, principalmente se for fumante e hipertenso.
É preciso atentar para esse grave problema que atinge grande parte da população, principalmente na busca de soluções e medidas de acompanhamento, sendo necessária a interação de Medicina e Odontologia.

Fonte: Dra. Celia Regina Perissê
http://www.senado.gov.br

Dr. Aníbal Ribeiro na TV Tribuna - Tema: Gengivite

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